Em Chapecó, curso esclarece recentes mudanças no cadastro do Sistema Nacional de Adoção
Principais alterações no SNA estão relacionadas ao perfil das crianças
- Categoria: GERAL
- Publicação: 22/04/2026 13:56
- Autor: TSSC
Assistentes sociais e psicólogas do setor de serviço social do fórum de Chapecó aproveitaram os primeiros encontros do Curso de Preparação à Adoção para tirar dúvidas dos futuros pais e mães. Os encontros serviram para detalhar as etapas jurídicas e psicossociais do processo de adoção. Um dos destaques são as recentes mudanças no cadastro do Sistema Nacional de Adoção (SNA). Novos quesitos ajudam os pretendentes a se aproximar do perfil de família desejada.
As principais alterações no SNA estão relacionadas ao perfil das crianças, que agora conta com perguntas mais claras sobre as questões de saúde que os pretendentes aceitam. Antes, de maneira genérica, os interessados respondiam simplesmente se aceitavam, ou não, doenças tratáveis. Além de esmiuçar as possibilidades, como níveis das doenças, o sistema passa a cruzar o banco de dados dos pretendentes com as informações das crianças, com a finalidade de aproximá-los.
A capacitação terá 15 horas repassadas em cinco encontros. A equipe do Poder Judiciário local organiza os grupos em no máximo 16 pessoas, a fim de garantir a interação. Dúvidas surgem a todo momento e, assim, todos podem participar. Essa etapa é decisiva para alguns pretendentes que entendem como realmente funciona o processo de adoção. Em Chapecó, o tempo de espera na fila para quem deseja um recém-nascido varia entre oito e dez anos. Com essa informação, a adoção tardia - de crianças acima de três anos de idade - ganha novos olhares por parte de alguns pretendentes, que passam a entender que o amor de um filho não depende da idade.
A assistente social na comarca, Katiane Centenaro, explica que a prioridade dos trabalhos é encontrar uma família adequada para a criança, e não o “filho dos sonhos” dos pretendentes. “A ideia de ‘ajudar’ uma criança, por exemplo, corre o risco de não sustentar uma adoção. Devoluções só devem acontecer em casos extremos e, como com qualquer criança ou adolescente, a paternidade e a maternidade podem ser desafiadoras”.
O pesquisador Marcus Fipke e a jornalista Tamires Guedes dos Santos vieram de Pelotas/RS há um ano. Estão juntos há quatro anos e sentem que chegou o momento de formar uma família. Como não deram certo as tentativas de ter filhos biológicos, a adoção apareceu como a melhor maneira de realizar o desejo. “Pensamos em começar tendo um filho. Gostaríamos que estivesse com idade dentro da primeira infância [até seis anos] porque sou professora também, e quero participar da educação dele ou dela”, revela Tamires.
Em 2025, a comarca efetivou 15 adoções – sendo sete de recém-nascidos, em que seis foram entregues voluntariamente e um veio de outra comarca (dois deles têm vírus HIV). Também vieram de outras regiões 10 crianças com mais de cinco anos de idade e que compõem grupos de irmãos. Todos ganharam famílias em Chapecó.
O curso preparatório está em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei 8.069/90, que determina a obrigatoriedade de um período de preparação psicossocial e jurídica para os postulantes à adoção, orientado pela equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude.
Para se tornar um pretendente à adoção, o interessado deve primeiramente se cadastrar no SNA e preencher um pré-cadastro online. Depois, os residentes em Santa Catarina devem procurar o fórum da sua comarca para dar andamento ao processo de habilitação. Em Chapecó, serão realizadas outras duas turmas para o curso em 2026.
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